sexta-feira, 12 de março de 2010

No mês da mulher...


Naquele tempo, eu acho… foi naquele tempo que os bichos falavam… os bichos grilos! Que ano foi? hum… 1966, 1967. Os meninos brasileiros estavam ouvindo “Lovely Rita”, dos Beatles. Mas nem todos… tinha os outros que se deliciavam com “A Rita”, de Chico Buarque. O incrível é que as duas Ritas sairam na mesma época, mas eram Ritas diferentes. A dos ingleses, por exemplo, era uma guarda civil encarregada de fiscalizar parquímetros. Bem típica inglesinha… Tinha um dos besouros que queria ficar com Rita, então, a convidou para jantar. Fácil, fácil, ela não só aceitou como ainda pagou a conta. Como bom cavalheiro, depois do jantar (pago) a levou em casa. Ela, generosamente o convida a entrar, fazendo com os pensamentos do moço terminem na cama… mas, tem de se conformar em passar a noite conversando na sala com ela e as bolhas de suas duas irmãs…

Já a Rita de Chico Buarque era difícil… tão difícil que a Rita, irrita. Ela deu um fora digno de aplausos: foi embora e levou o retrato, o trapo, o prato, uma imagem de São Francisco e um bom disco de Noel. Levou o sorriso dele embutido no sorriso dela e ainda causou perdas e danos. Sem contar que deixou mudo o violão dele… Eita, essa sim, era uma mulher de atitude.

A Rita dos Beatles era uma encalhada esperançosa que achava que ía conhecer o inglesinho babaca dos seus sonhos numa noite, e que de repente ele a convidaria pra sair e como num passe de mágica, seriam felizes para sempre!

A de Chico era despachada e capaz de uma atitude, sem medo do depois. Era do tipo que, se não deu valor, já era! Cuidado, aproveite a chance. Porque, melhor sozinha do que mal acompanhada. Tinha orgulho e sabia que o artista principal da estória, era ela… Se colocava em primeiro lugar no relacionamento.

Entendeu a sutil diferença?

Agora, eu entendi! Bem direitinho ;)

Um comentário:

  1. Eu adoro sempre o que vc escreve. Tornei-me frequentadora assidua do seu blog, muitas vezes me acho em suas linhas, acho isso tão bacana.

    A propósito, saudades de vc... mórbida!

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