Era uma vez, um menino chamado Zé. Um dia, a mãe dele perguntou:
- Zé, o que você quer ser quando crescer?
- Ladrão, mamãe.
- Ladrão, mamãe.
Mas a mãe nem deu muita atenção. O tempo passou e um dia na escola, a professora perguntou:
- O que vocês querem ser quando crescerem?
Zé nem esperou os outros responderem, foi logo berrando:
- Laaaaadrãããããããoooooo!
A professora ficou horrorizada.
Quando fez 18 anos, depois de roubar toooooooooodas às intenções da missa da cidade, o porquinho dos amiguinhos, o periquito morto de Pedro (e depois vender muito caro para o único menino cego, mudo, surdo, portador de síndrome de Down, canhoto e negro da cidade), ele tinha dinheiro suficiente para se mandar pro Rio de Janeiro fazer um curso de pós-graduação em marginalidade. Saiu pedindo carona pros caminhoneiros. Achou um que disse:
- sobe aí na carroceria.
- sobe aí na carroceria.
Depois de 03 dias e 32 visões de luas cheias de duendes, o caminhão bate o motor. Zé, que vinha dormindo, abre os olhos e vê: Bem vindo a Brasília.
- Porra, pensou Zé, eu queria Rio de Janeiro. Me resta pedir carona de novo.
Se mandou e deixou o caminhoneiro/caroneiro sozinho. Andou, pediu, insistiu e nada de conseguir outras carona pro Rio. É, ele percebeu que os caminhoneiros daquelas bandas são manjados, sacam que não se pode dá confiança a qualquer um. O jeito foi ficar ficando pela cidade. Arranjou um emprego de entregador de verduras num restaurante. Esperto, subiu de posto e virou ajudante de cozinha, depois garçom, Maitre e gerente do Restaurante. Respeitado e competente, não era mais Zé, passou a ser Seu Zé… nossa, andava numa beca, um luxo. Chique de doer.
Mas, em todos os postos que passou, sempre arranjou um “jeitinho brasileiro” e tirava proveito de alguma situação, sempre tinha uma lavagem de dinheiro daqui, uma graninha extra dali…
Só de extras, ele comprou uma BMW conversível vermelha 4 x 4 sport e uma cobertura luxuosa com vista pro Palácio do Planalto pra sua amante mais polpuda. Mas o sonho de ir pro Rio “trabalhar” como traficante de renome não tinha sido posto de lado. Ele estava só “passando uma chuva” naquela cidade:
- Vou curtindo e aproveitando o que a vida vai me oferecendo, neh?
Não demorou muito, tornou-se Presidente do conselho comunitário do Bairro. Conheceu alguns vereadores, amigos influentes, que ajudaram a “intercambiar” umas notas de desenhos singelos de bichos, como oncinhas, pirarucus…
Pra se tornar vereador foi um passo. Mais desvio. Depois, deputado… mais cuecas e meias quer dizer, mais dinheiro novo na sua gorda conta. 12 anos depois, mansão em Miame, carros, carros e carros, viagens luxuosas a Dubai, Paris, Caribe… enfim… esse lenga-lenga que todo mundo conhece.
Mas, sabe o final?
Então… Zé, ou melhor, Dr. Zé hoje é governador da capital do seu país. Resolveu abandonar a carreira de traficante filho da puta sem vergonha terrorista de morro de quinta no Rio. Hoje, ele ganha a vida, honestamente, como político. Defendendo sua honra com a mesma integridade da honra dos filhos.
Só para constar minha indignação ao então, governador do DF, José Roberto Arruda.
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