domingo, 29 de novembro de 2009

Eu não sei trigonometria

Extração dentária com decilitros de sangue escorrendo pela boca. Talvez tenha sido por falta de cálcio, talvez por falta de umas boas palmadas. Origami, lua em flor, um sorriso e uma dose de piedade. Mas, principalmente, umas boas palmadas. Enquanto o mundo discute com Obama que os humanos criacionistas são perfeitos e que a fé move montanhas e governa o mundo, muito sangue anda escorrendo pelo canto da boca.
Ouço sinos e sinais de esperança. É sempre assim… parte da humanidade corre atrás do vigor de viver, da “segunda chance”, da “batida perfeita” ou com a identificação com alguém de sucesso. Esse é o meu mundo. É muito fácil a sociedade, que investiu anos na minha formação, cobrar de mim. Eu tenho que ser justa, inteligente, ter bom caráter e dá retorno pelos meus 20 anos de estudo. Se eu cheiro, se eu fumo, se eu roubo, sou uma farsa, um fracasso. Essa é minha realidade. É diferente da realidade e dos sonhos deles. Eles estão à margem da sociedade e são visto como “futuros” marginais. Só isso basta para excluí-los, para renegá-los, de tentar afastá-los da minha realidade, de colocá-los fora do mundo faroeste cheio de gatilhos criacionistas enferrujados justificando a fé para governar o mundo. Enquanto os próprios homens de fé não conseguem governar seus próprios desejos.
Essa outra realidade dói, machuca e assassina meninos de 15 anos. Transforma o real em medo, desesperança. Sem expectativa, então, pelo o que lutar? O que aprender? De que convencê-los? Eu não sei. Não sei. Definitivamente não consigo olhar os ângulos perfeitos que forma um dodecaedro, iniciado pelo triângulo isósceles que tem como vértices sociedade x esperança x realidade. Aí eu me convenço… que realmente, eu não sei trigonometria.

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